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Seizá
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Seiza sentar com respeito praticar com intenção

A primeira vez que sentei em seiza, percebi que havia algo mais profundo ali do que apenas uma postura. A gente se ajoelha, senta sobre os calcanhares, mantém as costas retas e as mãos apoiadas nas coxas.

No Japão, seiza (正座) significa sentar corretamente. Só que esse corretamente não fala apenas do corpo. Fala de estar presente com respeito.

No karatê o seiza tem um lugar importante

Como praticante de karatê, aprendi que o seiza marca o início e o fim do treino. Antes de começar, sentamos em silêncio para nos concentrar. Ao final, repetimos o gesto como forma de agradecimento ao sensei, aos colegas e ao próprio caminho que estamos trilhando.

Não é um detalhe.

É parte do treino.

O que mais me chama atenção é o respeito que existe dentro do seiza, mesmo quando alguém não consegue executá lo da forma tradicional. Em muitos dojos, especialmente por consideração aos mais velhos ou a quem tem limitações físicas, o sensei permite sentar de pernas cruzadas ou até permanecer em pé. O essencial é manter uma postura firme e respeitosa. A forma pode se adaptar. O respeito não.

Fora do tatame a cultura continua

O seiza também aparece em diversos momentos da vida tradicional japonesa, como cerimônias do chá, visitas formais e templos. Mesmo que hoje muitas pessoas no Japão já não pratiquem seiza com frequência, ele ainda carrega um valor simbólico.

É um gesto simples que comunica atenção, humildade e presença.

E as diferenças entre homens e mulheres

Tradicionalmente, os homens sentam com os joelhos um pouco mais afastados, enquanto as mulheres mantêm os joelhos juntos e os pés levemente inclinados para o lado. Esses detalhes fazem parte da etiqueta japonesa e também são respeitados dentro do dojo.

No karatê, postura vai além da forma física. É parte da disciplina. Sentar corretamente, de acordo com a tradição, demonstra cuidado, atenção e respeito por aquilo que se está praticando.

Seiza não é sobre sofrer

Ficar em seiza pode ser desconfortável, especialmente para quem não está acostumado. Mas com o tempo, a gente entende que não se trata de suportar dor. Seiza não é um teste de resistência. É um momento de presença.

Sentar assim, mesmo que por pouco tempo, é uma forma de mostrar que você está ali de verdade. Com intenção, humildade e respeito.

Oss

Alice Hiromi Tamashiro Matayoshi
Black Belt • Karate Goju-Ryu

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